Tudo mas mesmo tudo tem um lado bom!
É bom pensar assim, é bom pensar que cinzento é mais claro que preto.
É bom pensar que o copo está meio cheio ao invés de pensar que está meio vazio.
É bom pensar que cada vez que se fecha uma porta se abre uma janela.
É bom ser optimista!
Vem lá um novo ano no nosso calendário, e com ele um conjunto de novas situações que nos vão colocar novos desafios, para alguns será a certeza da perspectiva de um ano pior, eu apesar de não ser um optimista declarado, digo que vai ser diferente apenas.
Mas voltando ao tema deste último post de 2010. Tudo tem um lado bom, senão vejamos:
A crise está(?) aì, mas a gripe A já não está.
A carga fiscal vai aumentar. mas o défice vai(?) diminuir.
As saidas em passeio e em férias vão diminuir, o tempo de qualidade em familia vai aumentar.
Vamos andar com menos dinheiro nos bolsos, ficamos com mais espaço para as mãos.
E por aí fora...
Como eu costumo dizer, tudo bem não existe, mas tudo mal também não!
A evolução dos tempos vai-nos colocando novos desafios, retirando comodidades que antes eram dadas como adquiridas, mas nunca nos pode retirar uma coisa, a nossa identidade e felicidade.
Em 2011 seja você mesmo, pense diferente, acredite em si, olhe para as coisas de fora, seja criativo, pense por si, desfrute da vida com aqueles que ama! Aceite o desafio e vença as situações negativas com o seu positivismo.
Se o encontrar por aí, espero que esteja a sorrir!
Use a sua imaginação e vença em 2011.
Até já!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Vende-se
Preocupa-me um pouco que tenhamos tomado como nosso, algo que noutros paises ninguem iria querer, no nosso querido Portugal, ao contrário do que aconteceu lá fora um banco não pode ir à falência.
Já o seu povo, esse, se tiver que ficar falido para suportar brilhantes decisões como a da nacionalização de um cadáver, que se dane, podemos sempre fazer mais um furo no cinto.
Parece que o mestre das jogatanas que mandou um banco para o charco, até foi secretário de estado do actual PR, quando este era primeiro ministro, enfim, nem sei porque escrevi esta ultima linha..
Na passada semana, ouvi na rádio que nós (o Estado) estamos com dificuldade de vender o BPN, porque ninguém quer comprar, ou pelo menos ninguém quer comprar nos moldes em que o negócio foi proposto.
Pensei neste assunto, repensei e voltei a pensar, isto porque eu quero vender o banco, não quero uma coisa destas no meu património, e conclui que falta a este governo estratégia, vender um banco assim não é fácil, mas também não é impossivel!
Pesquisei em várias imobiliárias e não encontrei lá o anuncio de venda, ora quando quis vender a minha casa, foi simples, fui a duas imobiliárias que prontamente trataram do assunto, colocaram umas placas na casa que tinha a palavra VENDE-SE sobre um numero de telefone, normalmente um telemóvel, e esta formula aparentemente simples funciona.
Já passei à porta de várias agências deste (nosso) banco e não tem lá a tal placa a dizer que se vende o imóvel, então vende-se?, mas não tem a placa a dizer que se vende!, é o mesmo que andar com o carro na rua todos os dias à espera que alguém o queira comprar, quando este nem tem nada a dizer que se vende!
É assim que querem vender o raio do banco?
Metam mas é uma agência imobiliária a tratar do assunto que logo aparecem os compradores! Há algumas que até enviam catálogos com os imóveis para a nossa caixa do correio, aquilo vem lá tudo discriminado, o numero de divisões, a orientação da exposição solar, se tem ar condicionado. Você comprava um banco sem saber se tem ar condicionado? Eu não! Não é de admirar que ninguém compre.
Neste pais faz muito calor no verão e todos sabemos que nos bancos se trabalha de fato e gravata!
Na incerteza do ar condicionado ninguém arrisca ficar com os sovacos transpirados, compreendo.
Só é de admirar porque é que tivemos que ser nós a ficar com o raio do banco, quando há por aì bancos privados que têm lucros à brava e que podiam ter aproveitado o preço de saldo.
Tinha que nos tocar a nós, e ainda por cima não sabemos vender bancos!
Já o seu povo, esse, se tiver que ficar falido para suportar brilhantes decisões como a da nacionalização de um cadáver, que se dane, podemos sempre fazer mais um furo no cinto.
Parece que o mestre das jogatanas que mandou um banco para o charco, até foi secretário de estado do actual PR, quando este era primeiro ministro, enfim, nem sei porque escrevi esta ultima linha..
Na passada semana, ouvi na rádio que nós (o Estado) estamos com dificuldade de vender o BPN, porque ninguém quer comprar, ou pelo menos ninguém quer comprar nos moldes em que o negócio foi proposto.
Pensei neste assunto, repensei e voltei a pensar, isto porque eu quero vender o banco, não quero uma coisa destas no meu património, e conclui que falta a este governo estratégia, vender um banco assim não é fácil, mas também não é impossivel!
Pesquisei em várias imobiliárias e não encontrei lá o anuncio de venda, ora quando quis vender a minha casa, foi simples, fui a duas imobiliárias que prontamente trataram do assunto, colocaram umas placas na casa que tinha a palavra VENDE-SE sobre um numero de telefone, normalmente um telemóvel, e esta formula aparentemente simples funciona.
Já passei à porta de várias agências deste (nosso) banco e não tem lá a tal placa a dizer que se vende o imóvel, então vende-se?, mas não tem a placa a dizer que se vende!, é o mesmo que andar com o carro na rua todos os dias à espera que alguém o queira comprar, quando este nem tem nada a dizer que se vende!
É assim que querem vender o raio do banco?
Metam mas é uma agência imobiliária a tratar do assunto que logo aparecem os compradores! Há algumas que até enviam catálogos com os imóveis para a nossa caixa do correio, aquilo vem lá tudo discriminado, o numero de divisões, a orientação da exposição solar, se tem ar condicionado. Você comprava um banco sem saber se tem ar condicionado? Eu não! Não é de admirar que ninguém compre.
Neste pais faz muito calor no verão e todos sabemos que nos bancos se trabalha de fato e gravata!
Na incerteza do ar condicionado ninguém arrisca ficar com os sovacos transpirados, compreendo.
Só é de admirar porque é que tivemos que ser nós a ficar com o raio do banco, quando há por aì bancos privados que têm lucros à brava e que podiam ter aproveitado o preço de saldo.
Tinha que nos tocar a nós, e ainda por cima não sabemos vender bancos!
domingo, 24 de outubro de 2010
O Normal Anormal.
Tenho um amigo meu que acha que todas as coisas normais são anormais.
Também acha que as coisas anormais são normais.
Eu concordo com ele, o que para mim é normal!
Também acha que as coisas anormais são normais.
Eu concordo com ele, o que para mim é normal!
Mas para outros poderá ser apenas anormal.
Parece confuso pensar assim mas nada mais simples que esta forma de estar. Digo eu.
Ontem lia umas coisas que ele escreve e me deixam sempre na expectativa, sempre na ânsia de algo novo para ler. Escreveu ele, que é frequente as recém mamãs questionarem o numero de dedos no pezito do seu recém filhote, e surge a pergunta: Tem 5 dedos? Comentava isto após o almoço e logo duas vozes femininas me disseram que era uma questão assaz frequente.
É algo como perguntar, ele é normal?
E a resposta para esta profunda preocupação maternal conta-se nos deditos dos pés.
E a resposta para esta profunda preocupação maternal conta-se nos deditos dos pés.
A propósito, mãe gosto muito de si!
Imaginei este cenário, que se passa numa sala de partos, o bebé recém nascido encontra-se pela primeira vez com um mundo que terá sempre a necessidade de o considerar mais ou menos normal dentro de uma escala de normalidade inventada por um estudioso, intelectual brilhante e excepcional, diria, quase que anormal.
Tal mamã, pergunta ao Sr. doutor, ou doutora, conforme preferirem imaginar. Ele é normal?, e surge a resposta. Não, não é normal, não vai ser normal!
A criança, não é normal.
A criança é anormal.
O Sr. doutor que tem mais três partos para serem feitos vai-se embora, deixando a mamã no maior dos prantos, a soluçar já consegue imaginar a dor que será acompanhar o crescimento de um ser anormal.
Passados os dias de hospitalização, a família sai do hospital e regressa ao mundo que lá fora espera ansiosamente por este novo ser.
Esta criança não quis ser normal, começou a falar antes do tempo, começou a andar mais cedo que os primos e com três anitos e meio já conseguia ler algumas palavras, cantava como nenhuma outra, e no desporto destacava-se de todas as outras.
A mãe todavia, vivia preocupada com as palavras que lhe preenchiam a memória, e deixou de ver as cores do arco-íris para procurar sempre o cinzento das nuvens que mandam cá para baixo a chuvinha que permite os arco-íris!
Preocupada com todas as magoas que aquelas palavras lhe trouxeram, não ouviu, não viu e não sentiu o que estava a acontecer, longe da normalidade o novo ser destacava-se em tudo, mas esta mãe apenas desejava o que todos desejam uma criança normal.
Não sei o fim desta historia, caberá a quem ler imaginar o que afinal é ser normal ou anormal.
Diz a curva de distribuição de Gauss que normal é tudo, mas nós queremos apenas ver o normal no monte emaranhado onde não nos distinguimos uns dos outros. Quando todos somos tão diferentes, apesar da maior parte de nós termos 5 dedos nos pés e nas mãos.
O anormal não existe, gosto de pensar que a diferença está na forma como olhamos para as coisas e não naquilo que realmente é olhado.
Se não pensarem como eu deixem lá, isso é normal.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Profissão - Tecnico de Teste de Colchões.
Desde tenra idade me perguntava, mas afinal quem testa os colchões?Sendo o colchão um objecto onde repousamos nos momentos mais tranquilos da nossa vida não fazia para mim muito sentido que não existisse quem os testasse.
Tinha que haver um dorminhoco profissional escondido nas fabricas de colchões!
Tinha mesmo!
Mas ninguém sabia quem ele era porque ele passava o dia a trabalhar profundamente, a sua profissão seria a mais invejada no ramo da colchoaria!
Cheguei a imaginar o departamento de testes, secreto, com placas de aviso: SILÊNCIO, testes a decorrer!
Pergunta também inevitável, como se recruta um Técnico de Teste de Colchões? Não me recordo de ter alguma vez visto nos anúncios de recrutamento. Tal pedido, seria coisa boa de se ver, algo como:
"Procura-se pessoa com o sono leve, ou pesado, com elevada capacidade de dormir, com ou sem insónias, pode ressonar ou não!
"Remuneração fixa, mais parte variável indexada ao desempenho e experiência e capacidade de trabalho demonstrada (horas de trabalho)."
"Requisito obrigatório: Facilidade em adormecer, para não desperdiçar horas de trabalho!"
" Possibilidade de rápida ascenção na carreira, com a possibilidade desenvolver outras actividades de elevada responsabilidade como o teste de almofadas, fronhas, lençois e edredons"
Portugal bem se podia especializar nesta industria magnifica, que é a produção de colchões, recursos humanos com elevada apetência para a função não devem faltar.
Ontem, conheci finalmente alguém que de facto testa os colchões, e não é que os técnicos de teste de colchões têm de trabalhar de noite! Os colchões são testados à noite, normalmente entre as 22h00m e as 07h30m, não é de admirar que ninguém saiba muito desta função, os trabalhos nocturnos são muito exigentes.
Se fosse das 9h00m às 17h00m ainda alinhava, mas assim não, não invejo quem trabalha de noite! É vida que ninguém quer!
A minha mãe sempre me disse para não querer trabalhar à noite, que repare na pele das pessoas que têm empregos nocturnos, estão sempre com ar cansado e a pele fica com muitas rugas.
Safa!
Vou dormir um pouco que esta conversa deu-me sono!
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
A lingua mais difícil do mundo!
Quis o destino que os Portugueses falassem Português.
Ontem à noite fui a uma loja onde se podem adquirir filmes, computadores, impressoras, equipamento fotográfico, sistema de cinema em casa e livros, o nome da loja começa por "F" acaba em "C" e no meio tem "NA".
Como a minha sobrinha foi incumbida de ler "A Menina do Mar" escrito por Sophia de Mello Breyner Andresen, lá fui comprar o livro à tal loja.
É um livro com uma capa colorida, que conta lá dentro com 36 paginas, algumas com desenhos coloridos, esta beleza de artigo custa 10.00€.
No escaparate imediatamente atrás estão os livros de literatura estrangeira, vi lá um de José Saramago traduzido para Castelhano(espanhol), não sabia que José Saramago é literatura estrangeira... Há muita coisa que nós não sabemos, ainda bem que existem os livros para aprendermos.
Como já tinha o livro que precisava, o tal de 36 paginas a 10.00€ (para os mais interessados pela matemática das coisas cada pagina custa um pouco menos que 0.28€), fui ao tal escaparate dos livros estrangeiros, onde está o tal livro Português que também é estrangeiro, e decidi comprar um livro para mim noutra língua que não a nossa, a nossa é muito difícil e por isso muito cara também, acabei por adquirir o "Adrenaline" de Jeff Abbot, porque no canhoto do livro vinham lá umas quantas criticas muito positivas, e porque o introito me apelou ao gosto, é um belo livro, à semelhança do "A Menina do Mar" também tem capa e contracapa, só não tem bonecos lá dentro (os ingleses americanos têm pouco jeito para o desenho), tem umas 500 paginas e custou-me 10.36€, um pouco mais caro considerando a falta de bonecos lá dentro, depois fiz as contas e cada pagina fica a 0.02€, e conclui, afinal não tem bonecos, mas tem muito mais paginas e custa sensivelmente o mesmo.
Como não tinha resposta para esta situação, porque raio um livro com 36 paginas custa o mesmo que um com um pouco mais de 500? Será um fenómeno de procura oferta, o livro tem tanta procura que não existem tipografias daqui até à China que possam saciar a vontade que toda a gente tem de ler "A Menina do Mar"? Poderá ser...
Como ali não havia balança também não consegui verificar se o critério seria o peso, poderão já estar a vender livros ao peso, mas, tenho quase a certeza que as 500 paginas pesam mais que 36.
Dei voltas ao livro, para ver se tinha a lombada com ouro, agora há quem meta ouro em quase tudo, no azeite, no Champanhe e mais recentemente até no Licor de Ginja, também não tinha ouro nas lombada.
Desisti e fui ao ultimo reduto que me restava para esclarecer esta duvida, a Sra. da caixa.
- Por favor pode explicar-me porque um livro com 36 paginas custa o mesmo que outro com 500?
- Ah, porque é português!
Fiquei logo esclarecido.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
O Poligrafo
Não me recordo da minha primeira mentira, já lá vai demasiado tempo para me lembrar. Isto é verdade! Devia ter menos de dois anos. Aprendemos a falar e logo aprendemos a dizer umas mentiras, é como aprender a dizer umas asneirotas quando vamos para um país estrangeiro, primeiro aprendemos o básico e só depois tudo o resto. Sem saber ao certo qual terá sido a minha primeira mentira, quais as circunstâncias em que terá emergido da mente inocente de uma criança de meses, sim porque até aos dois anos, temos meses, depois é que adoptamos a unidade métrica de tempo "ano". Portanto deveria ter menos de 24 meses e aposto que a minha primeira mentira terá sido: "Não fui eu", "não sei" ou "foi o mano", uma delas terá sido, e todas querem dizer o mesmo.
O meu irmão que tem mais um ano e meio mais velho que eu, ou 18 meses se preferirem, terá naturalmente arcado com as culpas, tal facto deveu-se ao facto da justiça estar desatenta ou de não estar munida de dados acusatórios devidamente fundamentados que pudessem cimentar a acusação e assim resultar numa condenação inevitável.
No passado fim de semana, numa reunião de família, veio a minha mãe a saber que uma vez castigou o meu irmão por algo que ele não fez. Confesso-me culpado e tenho pena que o castigo tenha sido aplicado a outro que não o culpado, mas o culpado andava muito ocupado a fazer travessuras para que desse nas vistas, assim passou o delito.
Mais tarde já com alguns anos de idade percebi, que mentir não é nem fácil nem coisa que se deva fazer com muita frequência, o ideal é nem mentir, mas por vezes... Mente-se, e mente-se tão mal que somos logo apanhados. Houve uma vez que tive 42% num teste do ciclo preparatório, não o consegui levar a assinar ao meu pai, lá reuni coragem e fiz o que tinha que fazer, forjei a assinatura do meu pai, como saiu mal à primeira, ou assinei no local errado, risquei e voltei a assinar, ainda recordo a cara do meu professor, a olhar para o teste assinado duas vezes, a olhar para mim, a ler o meus olhos e a escrever nos dele, "aqui há gato!". Mas a verdade é que ele não disse nada a ninguém apesar de eu ter a certeza que ele apanhou aquela mentira, serviu de lição, acho que não voltei a repetir a proeza.
Outras mentiras terão existido, todas para safar a circunstância, mas fiquei sempre com a impressão que a mentira é uma solução fácil demais para ser uma boa solução. A mentira trás sempre prejuízo para alguém, e por ultimo, a mentira é fácil de apanhar, os meus pais raramente as deixavam passar, e eu como adulto, também já consigo identificar com alguma facilidade indicadores de que algo pode ser mentira.
O que me espanta mais é que hoje, ao observar os meios de comunicação, ninguém consiga castigar os mentirosos, a minha mãe se fosse juiza, já tinha colocado muita mentira no local certo, o meu professor de matemática só com o olhar via logo quem andava a enganar o sistema. E agora custa-me perceber que sejam necessárias mais de sessenta mil paginas de papel e não sei quantos anos para chegar à conclusão que ainda não se sabe o que é verdade ou mentira. A minha mãe tratava deles todos!
terça-feira, 27 de julho de 2010
Homens que choram são mais felizes.
Quando eu era pequeno sabia chorar.
E era muito feliz!
Quando me tornei um rapazinho, disseram-me, não chores, quem chora são as meninas, quem chora são os bébes.
E assim se foi uma capacidade de deitar cá para fora as coisas que me aborrecem. Confesso que não me parece muito acertado chorar por tudo e por nada, mas agora, ao pensar neste assunto vejo que chorar pode bem ser o caminho para uma vida mais feliz.
A minha mãe de vez em quando chora quando está mais aborrecida com algum assunto, ou chora quando está triste, a Sónia por vezes chora quando a desiludo ou magoo.
Ontem perguntei-lhe, o que se sente depois de chorar?
Isto porque tanto quanto me lembro, quando era miudo e os meus pais não iam comigo e com o meu irmão ao parque de escorregas que ficava ali atrás da Camara Municipal de Castelo Branco, eu ficava com um nó na garganta de neura, de tristeza, de agonia, mas não chorava, aquilo era sufocante, queria chorar mas não podia, porque os meninos não choram, não choram porque não os levam aos escorregas..
A Sónia respondeu-me: depois de chorar sentimos alivio.
Recuando mais no tempo, não me lembro do que sentia depois de chorar, porque devia ser ainda muito novito quando me deixei dessas coisas, quando aprendi a chorar para dentro, como a maior parte dos homens faz.
Os meus sobrinhos ainda sabem chorar para fora, com lágrimas e tudo, e a verdade é que aquilo lhes passa e em pouco tempo estão contentes e a sorrir de novo,
Nos ultimos 10 anos acho (tenho a certeza) que chorei 3 vezes, os motivos pareceram-me suficientes duas das vezes, na terceira e ultima, não consigo associar um motivo claro, talvez o meu saco de lágrimas estivesse cheio de ir acumulando ao longo dos anos.
Esta situação fez-me pensar que aguentar, guardar, não exteriorizar é perigosa. Mostramos por um lado que somos uns valentes que não choram em circunstancia alguma, mas qual o real custo disso?
Serão os homens que choram mais felizes que os que não choram?
Talvez.
Mas só quando não estão a chorar...
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